terça-feira, 22 de setembro de 2009

Tristezas não pagam dívidas

Não vale a pena ficarmos tristes e deprimidos.
Temos todos de ter muita calma, saber dar a volta por cima.
Não estou a dizer (porque não digo) que é fácil, mas é um desafio.

Este ano é um ano, de contenção, mas primordialmente de revolução. Principalmente de mentalidades face ao que inesperadamente acontece à nossa volta.

Aproveitemos pois, já que a transformação é transversal, para mudarmos alguns hábitos diários, com vista a economizar.
Este ano (embora já tarde, mas mais vale tarde do que nunca), é tempo de arregaçar as mangas e olharmos com olhos de ver, para este planeta em que vivemos.
Vamos todos tentar com outra postura, melhorar e não estragar, o ar que respiramos, a água que bebemos, o ecosistema em que vivemos.
Vamos atrasados, mas pode ser que possamos deixar aos nossos filhos, e netos algo onde valha a pena viver.
Vamos parar de falar da crise como uma catástrofe, mas sim como um começo e um renascimento de algo que pode ser muito melhor.
Claro que é incómodo mudar. Mas tem que ser.
Os sinais dos tempos, dizem-nos que estamos em tempos de mudança.
E não vale a pena consultarem astrólogos, tarólogos, astrónomos, e por aí fora, porque tudo se prepara para que um sistema velho e empobrecido acabe , e nasça algo novo.

E não é suposto nos alegrarmos perante um nascimento? Uma coisa nova?

Sei que o desconhecimento do que aí vem pode causar aos mais negativos e cépticos, uma certa angústia.
Digo mesmo, que o não saber lidar com a transformação, causará seguramente depressão.
Mas deixemo-nos disso.


Sejemos optimistas, mas realistas.

Arregacemos as mangas, não para lutar ( porque não estamos em guerra), mas para trabalhar.

Paremos de recusar trabalho, engrossando as filas do desemprego, porque não queremos trabalhar aos fins de semana, ou por turnos, ou porque o ordenado é muito baixo.E sempre é melhor o rendimento mínimo.


Todos precisamos de todos. E não é com comodismos que se chega a algum lado.
Não embarquemos na manipulação das audiências televisivas. Isso faz mal.

Caminhem antes durante trinta minutos. Faz muito melhor à saúde.


Quando estiverem tristes por não terem sapatos, lembrem-se daqueles que não têm pés e ficarão menos tristes.

Querem pintar Portugal de cinzento

Porque querem pintar Portugal de cinzento?
Não está ele tão cinzento já?
Onde está o destemor da Padeira de Aljubarrota, quando desafiou os castelhamos, ou a coragem dos navegadores, quando enfrentaram mares e terras desconhecidos?
Sempre na História de Portugal, tempos dificeis houveram, e foram vividos e ultrapassados.
Agora, em pleno século XXI, os nossos governantes transformaram Portugal, numa terra de ninguém, sem rei nem roque, onde, porque qualquer noticia negativa ser bastante mediatizada, e empolada, as cores da nossa bandeira deixaram de ter qualquer significado.
E enquanto se fala, comenta e critica, nada se faz.
Gasta-se tanta energia e tempo diáriamente a comentar o que acabou de ser comentado.
Onde está a esperança?
Onde está a coragem?
Os portugueses estão oprimidos, tristes, deprimidos e desmotivados.
Parecem cata-ventos em dia de ventania.
Há um mal estar generalizado, porque se perde a esperança, porque nada já vale a pena fazer.
De nenhum lado, nos chega um pouco de incentivo e optimismo.
O derrotismo é comum.
As pessoas vivem mal em Portugal. E as outras parecem que vivem bem, mas não. Vivem mentiras, de aparencias.
Enquanto não começarem a pensar duma outra forma, não deixarão de viver mal.
E quem me diz que Portugal dos nossos igréjios avós, não se irá envergonhar, pela falta de coragem e de valentia em mudar simplesmente a maneira de pensar?
Quem é o governante mandatado neste país, que tem a coragem de parar com a choraminguice da crise, pois que isso já todos sabemos, e que é capaz de nos levantar a moral para que não baixem os braços os agricultores, os pescadores, os homens e mulheres deste país, e que ponham todos os neurónios a pensar em alternativas para voltar a pintar este país da cor do sol e da esperança?
Será que estou a alucinar?
Será que ainda acredito que D. Sebastião vai voltar.
Pois se ele não voltar numa dita manhã de nevoeiro, Sòcrates não vai ganhar, e se ganhar, perderá seguramente a maioria absoluta.
Professor Cavaco Silva, anime e encorage Portugal, senão isto vai acabar mal.
Temo que falte o pão, e então... não sei não...

Mate-se o mensageiro!


O Poder da Televisão, sim ou não?
Quando apareceu a televisão, foi um espanto. Poucas pessoas podiam aceder a poder ver a imagem em tempo real.
Estávamos em 1958.
Introduziu-se nas nossas casas, de mancinho, com pézinhos de luva.
Mudou de cinza, para cores.
Passou de caixote, a uma janela.
Hoje, come e dorme conosco.E nós deixámos de ter a nossa vida.
A própria. Para nos vermos girar á volta dela.
Penso, e já numa posição bem fundamentalista, que a televisão é o ópio do povo.
As familias não se reunem, não conversam, não existem.
A lareira de antigamente foi substituida pela televisão.
Mas ela preenche-nos alguma solidão? Sim ou não?
Manipula-nos. E neste momento deprime-nos. E tudo porque o que vale, não é quem vê televisão, são as audiências, que fazem render rios de dinheiro com a publicidade.E essas audiências não são selectivas. Consomem tudo. TUDO.E neste particular momento social, politico e económico que o país atravessa, não há uma noticia positiva.Porque todos sabemos que o ser humano gosta de sangue, de tragédia.E essa morbidez humana é explorada até à exaustão.E assim se cria um país de deprimidos, de desistentes, de gente cinzenta, que repete e fala vezes sem conta tudo o que ouve na televisão.
As audiências aumentaram, mas as pessoas já estão apáticas. Já nada lhes apetece fazer.
Já nada importa, porque todo o seu cérebro está mais do que ocupado no lamento, na queixa, na especulação, para se dedicar a pensar em como dar a volta e renascer das cinzas.
Onde estaríamos nós, se no tempo de D. Manuel I, existisse a televisão..., ou melhor do mau uso que lhe estão a dar enquanto responsável por simplesmente informar.
Provávelmente, aqui. Mas sem termos tido a curiosidade de saber o que havia para além de Sagres, ou de Lisboa....

Em águas um pouco turvas

Estamos em tempo de eleições.
Eleger é um direito e um dever cívico.
Mas quem vamos eleger? Para nos dirigir, comandar e apoiar?
Tenho muitas dúvidas e raramente me engano. Estas eleições ñão vão ter a expressão que os portugueses estão á espera.
Há uma enorme fatia da sociedade que também tem muitas dúvidas: E entre o não sair de casa, ir às urnas e votar em branco, ou simplesmente votar de olhos fechados, acho que expressa e bem, a angústia que todos os portugueses sentem, de que vivemos um tempo de indecisão, de muitas dúvidas, de que nada é preto e branco, e que não há realmente ninguém no cenário politico, capaz de mobilizar este país, não só em grande transformação financeira, como numa grande transformação de valores.
Acho que antes de olharmos para fora, temos de começar a olhar para dentro.
Todos nós almejamos na nossa vida muita coisa, e esperamos sempre que alguém crie as condições necessárias para que as tenhamos. E nós ficamos sentados. À espera. Só temos que escolher o agente.
Neste momento, o agente somos cada um de nós.
A transformação somos nós que a temos de fazer. E de dentro para fora.
A imagem que os media nos dão, é dum país em desgoverno. Ou por outra, que ninguém, está a salvo. Os orgãos de soberania, até agora intocáveis, acabam por estarem aos nossos olhos extremamente vulnerabilizados. E os comentadores, os analistas, (fazendo o seu trabalho), acabam sempre, nas suas mais variadas intervenções, confundir os portugueses, mais do que esclarecer.
Penso, que no dia 28 de Setembro (esta data lembra-me qualquer coisa...) temos um primeiro ministro sem maioria absoluta, e uma assembleia muito mais colorida e composta fazendo crer que os partidos minoritários vão aproximar-se dos que detém (pensam eles) o poder.
Estamos em transformação. E embora este processo já tenha começado há alguns anos, sem qualquer visão catastrófica, penso que vai ser muito bom para todo o mundo em geral.
Mas a dúvida persiste: Em quem hei-de ir votar?
No Ricardo Araújo Pereira seguramente, pois só ele nos tem últimamente tirado o sorriso amarelo acizentado, que ganhámos nos últimos quatro anos.
É tempo de separar as águas. Vamos às urnas no domingo.




quinta-feira, 7 de maio de 2009

Desisto

Desisto!

Desisto porque já não vale a pena
Porque a minha alma se tornou pequena
E o que sinto é tão medonho, tão macabro
Que me vejo a matar o mundo inteiro
Numa raiva, num excesso em que me abro
E mostro que afinal não sou quem penso ser
Porque não me conheço já, e neste derradeiro
Grito, eu quero que saibam que há um ódio
Que eu sinto a desventrar-me a alma, e do coração
Cresce aquele sentir de que só eu posso tudo
Contra todos e até contra o meu ser
Porque sozinha estou e quem eu sou,
Já nem eu sei, vivi sempre à procura de me ter.

Desisto porque já nada sei, nem nada posso
E na contradição me vejo agora, entre a razão e
O coração começa a gotejar agonizante,
Meu corpo desfalece e cai, no mesmo chão
Que eu pisei durante tantos anos, andando errante.
Eu sei que se gritar ninguém já ouve, porque rouca
De tanto falar e pedir em vão, me sinto louca
Sim, sou louca, e deixem-me ser louca, de mente insana
Que alguém tentou dar-lhe algum remédio, mas muito
A medo desistiu também, porque na louca ninguém crê
E tudo o que eu diga ou balbucie, ninguém nesta desdita
Vai dar crédito, e perde sempre, e mesmo gritando, ninguém vê.

Desisto enquanto posso, entrego os pontos, mas não me rendo
Entrego-me, empunhando uma bandeira para dizer, que é a paz
Que eu quero, e que sempre desejei, e nunca tive, e que dependo
De tantos carrascos que inventei, e que me rondam sobrevoando
Minha cabeça que escondo, e tapo os olhos, como se quisesse
Que o meu coração parasse, de repente, sem ter que dizer adeus
A quem eu amo, sim porque meu coração ama, e pobre não sabe
Que não pode amar, porque num bater estúpido de loucura, ele procura
O alimento para que continue batendo, não sabendo, que o amor
É uma tortura, e que não se desperdiça essas batidas de ternura
Assim à toa sem saber porquê, e sem conhecer se escutam ou
Querem escutar essas batidas que embora fracas fazem tanta dor.

Desisto, e assumo-me como louca, talvez mesmo logo que nasci
Porque eu não pedi para aqui estar, e agora eu vou ter que aguentar
O sofrimento que me queiram infligir, porque mesmo que me queixe
Ninguém vai ouvir os meus gritos, o meu lamento, ninguém vai acreditar
Que se sofro é porque eu quero, porque criei o meu próprio sofrimento
Ingénua, sem saber que naquele poder em que eu própria acreditava
Não se manda assim no sentimento porque é do acaso que ele nasce
Muito de mansinho, e devagarinho se instala como uma doença
E nós vamos deixando, esperando haver remédio, mas é em vão
Não há remédio, e para acabar com a doença, temos que desistir
Primeiro, baixar a guarda, e que venha a morte desligar o coração.

Desisto!

O INANTIGIVEL , sonho ou ilusão??.


Passei um dia numa rua e vi
Numa montra duma cidade que inventei
Era tão lindo, vestido de vermelho ali
Parecia que me esperava, quando entrei.

Olhei-o quase a medo, era tão lindo
E pensei como era bom tê-lo,
E dei comigo imaginando e rindo
Com aquele olhar mesmo de desvelo.

Cheguei-me mais um pouco
E toquei-lhe primeiro com uma mão
Depois com a outra, que sufoco!
Enrubesci, senti acelerar meu coração

Aí, não resisti e experimentei
Sentar-me e apreciá-lo bem de perto
O que se passou depois eu já não sei
Pois já não me lembro de tudo bem ao certo.

Mas sei que foi bom, criou-se um não sei quê
Que ainda estou para saber se foi verdade
Aquela coisa que arde e não se vê
E que depois nos traz numa ansiedade

Alguma intimidade aconteceu ali
Fechados ali os dois naquele espaço
De repente ouvi dizer: Ficamos por aqui
E pareci então acordar daquele abraço.

Saí. Cá fora disse para mim
Olhando depois o cheque que passei
Mas que burrice, isto não é assim
Devia ter pensado melhor e não pensei.

Quando o relógio toca estridente
E me obriga a levantar naquela hora
Dei com uma realidade tão diferente
Arranjei-me e pronto fui-me embora

E ainda bem que o sonho acabou
Mas que trabalhos eu ia arranjar…
Naquela loja eu não sei se vou
E naquela rua não vou mais passar.

Às vezes os sonhos pregam-nos partidas
Para as quais às vezes não há solução
Assim vou controlar melhor minhas saídas
E proteger assim melhor meu coração.

Acho que passeando a pé, só pelo campo´
Ou usando a bicicleta como companheira
Não vou- ceder à ilusão que entretanto
É tal uma armadilha qual ratoeira.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Manuel o tempo já escasseia.



Manuel, o tempo já escasseia
Faz qualquer coisa, age de imediato
Para sairmos desta panaceia
Que urge, que tenha de ser rápido

A tua voz Manuel. que nos alenta
Tuas palavras dão nos a coragem
Mas passa aos actos, e enfrenta
E firma teus ideiais, a tua imagem.

Manuel o que fizeram de Abril,
Agora já esquecido e muito deturpado
Precisa de ser urgentemente reparado
E acordar este povo já tão desanimado

Manuel, junta os teus companheiros
Convoca os velhos, as mulheres, os jovens
Que este país vai precisar de todos
Para fazer renascer a valentia destes homems

Manuel nunca desistas dos teus ideais
Tu és a voz resistente do Abril de outrora
E tens de conseguir juntar este povo
De ideias diferentes, mas tem de ser agora.

Sei que não é fácil, levantar o ânimo
céptico e massacrado sentido por nós
Pergunta ao Scolari, como em dois mil e quatro
Encorajou e uniu, este país todo a uma só voz.
Por favor Manuel age, que é urgente
Vivemos correndo um tempo de mudança
Porque se não agires e não nos liderares
Este povo desalentado fica sem esperança.

Alegre é também o teu sobrenome
Que nos faz acreditar que nada está perdido
Traz-nos a alegria do primeiro de Maio de setenta e quatro
E Abril de novo ganha outro sentido.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Está tudo tão mudado....




Papá está tudo tão mudado
Da terra já não brota mais feijão
Antes, está sufocada com betão
E o agricultor deixou de o ser, desanimado.

Papá está tudo tão diferente
Que o peixe que encontramos no mercado
Chega-nos em caixotes, empilhado
Pescado, mas não como antigamente.

Sabes Papá, os pássaros fazem ninhos
Mas não nas árvores, como era dantes
Em equilíbrio em cabos ou tirantes
Aqui e ali deixam os ovinhos.

Papá, se voltasses cá, poderias ver
Como este país se arrasta e se tortura
Pior que noutros tempos, os da ditadura
Lutando cada dia, pr’a sobreviver.

Falta de trabalho, de dinheiro e pão
Estão a levar Portugal ao fundo,
Mas não só nesta terra, é por todo o mundo
À espera sempre que venha uma mão.

Abril é só um mês do ano, nada mais
A pouco e pouco a censura está a voltar
A tua geração está a acabar
E os restantes que ficam, vivem já, sem ideais.

Papá, só o que não muda e está sempre igual
É que os que trabalham, e lutam cada dia
Para deixar para trás, toda esta agonia
Não conseguirão mudar Portugal.

Porque há quem não queira, porque não dá jeito
Porque sobrevivem da corrupção
E a nossa justiça, continua cega, e leve tem a mão
E os Portugueses, outrora valentes, onde é que eles estão?

Papá, gostava de te ter aqui sentado
Para te dizer que amar seja quem for
Terá de ser escondido ou disfarçado o amor,
E dizer o que se sente é censurado.

Papá, mesmo com toda esta mudança
Eu queria dizer-te que é de ti que gosto
Mesmo que às vezes, fosses meu oposto
Eu amo-te Papá como quando era criança.

Papá, está tudo tão mudado
Que se nos voltássemos por aí a encontrar
E eu quisesse muito te abraçar
Teria de certeza de primeiro, olhar para o lado.

Papá está tudo tão mudado!
Mas as saudades, essas são iguais
São talvez mais fortes, até mais reais
Que com muita coragem tenho suportado.

domingo, 26 de abril de 2009

A vida é a prazo, acreditem

Se todos soubessemos quanto ainda tínhamos de vida, viveríamos provávelmente duma maneira diferente.


O problema é a ilusão que a própria vida nos dá duma certa eternidade, ou perpetuidade.


E nestas coisas do tempo e da vida, e da correria na vida contra o tempo, acabamos por perder a essência da própria vida. Afinal o que vale ou não vale a vida, a nossa vida. E a vida dos outros?


Se todos tivessemos consciência de que viviamos a termo certo, decididamente que, só pelo facto de sabermos aceitar esse prazo, essa condicionante, o nosso comportamento levar-nos-ia a agir e a reagir duma outra forma.


Talvez não houvesse tanto desespero, tanta ansiedade, tanta angustia motivados pelo medo.


Todas as nossas contas estariam saldadas ao final de cada dia. E refiro-me às emocionais, àquelas que deixamos sempre para resolver no dia seguinte, ou até acabamos por nunca resolver. E mesmo as outras, as que sobrevivem do crédito...


Todos temos um prazo de validade, findo o qual já não serviremos para mais nada.


Mas até lá, desperdiçamos tanta coisa, fazemos tanta coisa horrivel, aos outros e às vezes a nós próprios, na busca duma ilusória felicidade.


A felicidade está na paz, ou no equilibrio que cada um consegue consigo próprio.


É realmente dificil encontrarmos equilibrio, neste mundo cada vez mais desiquilibrado, em que imperam os valores materiais, e que sobrepõem ao respeito pelos direitos do Homem.


De cada dia farei como se fosse o ultimo, e se houver o amanhã, assim continuarei.


Nada por dizer, nada por escrever, nada para oferecer.


E quando chegar ao fim do prazo, por favor, não me ergam memoriais ou lápides que não posso ver, não me façam discursos que não vou ouvir, e não me mandem flores que não vou cheirar.


É aqui e agora que eu sinto e sei QUEM tem carinho, amizade e amor por mim.




Depois... não sejam hipócritas, mas podem chorar ou gritar à vontade. Eu já não vou sentir.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

DEPOIS DE ALGUM TEMPO.....

Achei que esta podia ser a receita para os problemas da existencialidade..........


"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com graça de um adulto e não a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair meio em vão."
"Depois de algum tempo, você aprende que o sol queima, se ficar a ele exposto por muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que, não importam quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo (a) de vez em quando, e você precisa perdoa-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos."
"Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm muita influência sobre nós, mas que nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser. Descobre que leva muito tempo para se chegar aonde está indo, mas que, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus actos ou eles o controlarão, e não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados."
"Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas pessoas que o ajudam a levantar-se. Aprende que a maturidade tem mais a ver com tipos de experiências que se teve e o que se aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais de seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

"Aprende que quando está com raiva, tem direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama mais do jeito que você quer não significa que esse alguém não o ame com todas as forças, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, e que algumas vezes, você tem que aprender a perdoar a si mesmo."
"E que, com a mesma severidade com que julga, será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára, para que você junte seus cacos. Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende realmente que pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir mais longe, depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor diante da vida!!!"
Shakespeare

domingo, 5 de abril de 2009

Ousadia ou coragem?

A propósito de MARIA ADELAIDE COELHO DA CUNHA, uma mulher que embora tenha vivido no principio do século XX, casada há vinte e oito anos, e com quarenta e oito anos de idade, abandona tudo, riqueza e posição social, pelo seu motorista Manuel Claro de vinte e seis anos com quem vai viver para uma aldeola.
O marido interna-a com o aval dos mais conceituados psiquiatras da época, e interdita-a, apoderando-se da sua fortuna, visto ser ela a herdeira do dono do Diário de Noticias.
Foi dada como louca. Louca sim mas de Amor e por amor. Mas não era doida.
DOIDA NÃO!
A certa altura refugia-se na escrita , e escreve: “ As cartas e bilhetes que tenho recebido formam como uma grinalda que me envolve tristemente, amparando-me, dando-me novo alento nesta luta de vida ou morte em que, para salvar o coração, é preciso esfacelá-lo primeiro, em que para conservar a vida, é preciso gastá-lo a pouco.”

E hoje em pleno século XXI, seria diferente?
É bem aceite uma relação que saia fora dos " padrões normais", convencionais, ou socialmente aceites como correctos?
Como reage a sociedade, a família, os amigos ou mesmo os conhecidos quando um casal é composto por uma mulher mais velha dez ou quinze anos do que o homem?
Ou quando é ele que tem mais vinte anos do que ela?
E quando ele é casado? E se tem filhos de anteriores relações?
E quando ambos são casados, com outras pessoas? Mas se apaixonam por outros?
Será que estas pessoas podem ou não viver um grande Amor?
O Amor é eterno enquanto dura. Enquanto é alimentado e acarinhado.
Enquanto há amizade, cumplicidade, e intimidade.
E depois?
Conjugamos o verbo sofrer.
Eu sofro
Tu sofres
Ele ou ela não sofre
Nós sofremos
Vós não sofreis
Eles ou elas não sofrem
E a vida continua.

E isso do Amor, Schhhhhhhhhhhhhhh!!!! Guardem-no, calem-no, sintam-no, mas finjam que não o sentem. Mas finjam bem.
Porque no século XXI a vida continua a ser um teatro de marionetas.
E as cordas partem sempre pelo lado mais fraco.
E quem falou que o AMOR existe?
Quem é que acredita nisso?
Oh! Santa Ingenuidade!
Acordem, porque essa do MAKE LOVE NOT WAR , já era…
O Amor só sobrevive na clandestinidade, porque a tradição ainda é o que era, e o preconceito é o principal bloqueador do que se pretende atingir : A felicidade.

terça-feira, 17 de março de 2009

Parabens NI


Hoje o teu filho faz vinte e três anos. Mandei-lhe os parabens. Não me respondeu. Ainda continua zangado comigo.
Hoje faço-te esta homenagem, porque durante a tua vida, mostráste sempre ser uma guerreira, vivendo sempre na dualidade, que se impõe a uma geminiana.
Sempre oscilando entre o bem e o mal.
Quando estavas bem, apenas parecia que estavas, mas estavas também mal. Quando estavas mal, estavas péssima, e a tua doçura dava lugar a uma preversidade e a uma maldade nunca vista.
A doença, soube-se já muito tarde do que sofrias. E ninguém conseguia aturar-te, suportar-te. Só a mãe.
Aliás só as mães têm essa dose de abnegação, de solidariedade, de AMOR, que mais ninguém tem.
E como ela sofria quando tu não lhe atendias o telefone, ou não lhe querias abrir a porta.
Lembras-te quando uma noite me telefonas às quatro da madrugada, a despedires-te de mim, porque te querias suicidar?
Lembras-te?
Ainda não havia telemóveis. E eu consegui manter-te ao telefone, ouvindo e falando, até chegámos mesmo a conversar, para dar tempo de que alguém pudesse ir avisar a mãmã pela cabine, para que fosse rápido a tua casa.
Nós nunca te deixaríamos morrer. Nunca.
Nunca tiveste muita sorte com os homens. E eu que pensava que eu é que não tinha....
O último deixou-te morrer abandonada, sem apoio, sem ninguém. Mas era teu marido de papel, de contrato, até com o apelido tu ficaste....
Sei que morreste intoxicada, porque ninguém quis saber que tu existias.
Só nos chamou depois. Quando foi obrigado a chamar a policia.
Porque não o fez antes?
Hoje estou sozinha. E custa-me a conformar, e a aceitar.
Passo a vida a fingir, para que não me chateiem, e me digam apenas o que eu também se calhar diria.
Os meus filhos, e teus sobrinhos não são da minha familia. Eu é que sou da familia deles.
Olham em frente, e seguem.... Como eu fiz e tu também fizeste.
Foi o destino, dizem uns. Já tinha de acontecer dizem outros.
Mas lembras-te dos sonhos que tinhamos em crianças?
E lembras-te de te irritares por me chamarem o pendulo do colégio, por ser sempre muito certinha?
Lembras-te Ni?
Já não sou masi certinha. Agora deu-me para os disparates. Quero experimentar o que é estar à beira do abismo.
O que é a adrenalina. Como quando tu disparavas a cavalo e mais ninguém te agarrava.. Na Giolegã..
Se não tivesse sido essa doença, a BIPOLAR, que muitos psiquíatras nem sabiam que existia, e que te dopavam, e dopavam, e tu dormias e dormias... E diagnosticavam uma mera depressãozoinha...E trocavas a noite pelo dia e vice versa.
Sempre me invejaste. O papá dizia que quem muito inveja não medra.
E se calhar era verdade.
De mim, Ni. Porquê?
Se tu tinhas tudo e conseguias sempre tudo.
Eu nada sou, e nada tenho.
Porque havia duma irmã ter inveja de mim?
Nem sonhas porque estou a passar.
Um dia se nos encontrarmos por aí, eu conto-te. E voltamos a conversar.
Sabes, o ano passado estive em cima da "ponte", entre cá e aí. E foi enorme a agonia. Fizeram-me regressar. Para sofrer ainda mais.
Mas quando o meu tempo chegar, havemos de nos encontrar, e que seja rápidamente.
Tenho muitas saudades tuas, e do pápá e da mamã.
Sinto-me só.
E começo a estar cansada de ter de contiuar a representar.
Sabes os palhaços também choram, apesar de fazerem rir muita gente.
Até um dia, e vê lá se te emendas.
Perdoa-me se não soube cuidar de ti como devia.
Talvez ainda estivesses aqui, para conversarmos.
Um forte xi-coração de muita saudade. Até um dia.

segunda-feira, 16 de março de 2009

DIA SIM, DIA NÃO.....

Com três letrinhas apenas
Se escreve a palavra NÃO
É das palavras pequenas
Que me tira da razão.

É palavra que detesto
Pois trava qualquer questão
Nem sequer dá para falar
Logo no princípio é NÃO.

NÃO, disseram-me em criança
Para sair, para brincar.
NÃO, quando queria ir
Aos bailes para dançar.

NÃO, foi sempre a palavra
Que me fez de companhia
Que de tanto NÃO ouvir
Vivi, mas sem alegria.

NÃO era o que pensava
Se por acaso alguém amava
E era um NÃO que levava
Porque era o que esperava.

Incentivada, ou elogiada, NÃO!
Vivi sempre criticada
E achava que só merecia um NÃO
Porque alguém me suplantava

Sempre NÃO esteve presente
Pela minha vida fora
Que o SIM levou o seu tempo
Quando chegou aquela hora.

Depois vim a descobrir
Que há outras modos de o dizer
Esses são mais aguçados
E fazem-me mais sofrer.

São modos mais diplomáticos
Com palavras bem escolhidas
Ditas com sorrisos simpáticos
E de maneiras divertidas.

E se em criança eu ouvia
NÃO quero brincar porque és feia,
Hoje oiço, Desculpa, hoje NÃO dá
Ora volta, volta e meia.

Com um NÃO, se conta ao pedir
Qualquer coisa que queremos
Mas também pode vir um SIM
E nessa incerteza sofremos

Mas de tanto NÃO ouvir
E de tanto sofrer com isso
Hoje não sei dizer NÃO
Mesmo quando é preciso.

Amarfanhada outrora
Desvalorizada e insegura
Fui vivendo uma vidinha
Uma vida de Tortura

Já nada tenho a perder
E com muita ou pouca razão
Mesmo com o coração a doer
Eu vou ter que dizer NÃO.

NÃO aos sonhos que sonhei
NÃO ao que desejei outrora
NÃO ao retorno do passado
NÃO àquilo que sinto agora.

E porque não dizer SIM?
Sim, que gosto de mim.
Que AMO A VIDA e quero viver?
E vou vivê-la mesmo assim.

Ainda tenho algum tempo
Para AMAR quem nada tem
Vou-me dar, sim, e lembrar
Que há por aí mais alguém

Alguém, que recebe NÃO
e que também não mereça,
Que sente NÃO atrás de NÃO
Com um gesto de cabeça.

Hoje estou num dia NÃO
Amanhã num dia SIM
Quem manda é o coração
Todos temos dias assim.

domingo, 8 de março de 2009

A invisibilidade da violência doméstica

Ninguém sabe, ninguém ouve, ninguém vê. Todos fingem.

A violência rodeia-nos.
A violência sufoca-nos de medo. Medo e vergonha que os outros saibam.
Medo de sermos vitimas ou voltarmos a ser.
E porque às vezes a dependencia do violador, é aparentemente irreversível. Há filhos para educar.

Não. Não é o status que se tem de manter. Mas os filhos que se tem de alimentar e educar.

Somos agredidos na rua, para nos tirarem os carros, as carteiras, os cartões multibanco.
Somos agredidos em casa, porque fomos atingidos pelo desemprego, e não temos contra quem nos revoltarmos, ou em quem descarregar a culpa.

Mas as crianças?

Quando a comida deixa de chegar para as crianças. Quando elas deixam de tomar um banho quente porque o gas foi cortado. Não é tudo isto uma violência?

E quando o companheiro, ou marido, chega a casa depois dum dia em que não conseguiu emprego, ou depois de ter gasto tudo no casino, ou simplesmente, porque não tem coragem para acabar com a relação e encetar uma nova, com a secretária, e descarrega na mulher, na companheira, às vezes, na mãe dos seus filhos, a raiva, a frustração, apenas por uma gota de água.

E tudo fica no silêncio da casa.

Os amigos fingem não perceber, os colegas, não comentam pelo embarasso, os filhos alheiam-se por não conseguirem uma solução. Mas a violência existe, sim.

E como dizia Maria de sessenta anos, à porta do consultório, falando dum ex-marido que a violava e a violentava aos vinte anos, e que ela acusava como tendo sido o responsável pelo pelo suicidio do filho: - Sabe, nós à noite perdoamos tudo!
Eu digo, que nem de noite nem de dia se pode perdoar um qualquer monstro, que usa o seu poder económico, social, ou até a sua força fisica, para nos subjugar para nos violar e nos humilhar.
Quando será que conseguimos parar de fingir. Parar de nos acobardarmos?
E o sistema nada faz. E se a vitima se defende em legitima defesa, " aqui d'El-Rei" que não podia fazer justiça pelas proprias mãos.
Até quando?
A criminalidade está aumentar, sim. A pobreza também.
Mas porque se finge que nada se vê, nada se ouve, de nada se sabe?
Porque continuamos neste teatro, que acaba inevitávelmente em tragédia.