terça-feira, 22 de setembro de 2009

Tristezas não pagam dívidas

Não vale a pena ficarmos tristes e deprimidos.
Temos todos de ter muita calma, saber dar a volta por cima.
Não estou a dizer (porque não digo) que é fácil, mas é um desafio.

Este ano é um ano, de contenção, mas primordialmente de revolução. Principalmente de mentalidades face ao que inesperadamente acontece à nossa volta.

Aproveitemos pois, já que a transformação é transversal, para mudarmos alguns hábitos diários, com vista a economizar.
Este ano (embora já tarde, mas mais vale tarde do que nunca), é tempo de arregaçar as mangas e olharmos com olhos de ver, para este planeta em que vivemos.
Vamos todos tentar com outra postura, melhorar e não estragar, o ar que respiramos, a água que bebemos, o ecosistema em que vivemos.
Vamos atrasados, mas pode ser que possamos deixar aos nossos filhos, e netos algo onde valha a pena viver.
Vamos parar de falar da crise como uma catástrofe, mas sim como um começo e um renascimento de algo que pode ser muito melhor.
Claro que é incómodo mudar. Mas tem que ser.
Os sinais dos tempos, dizem-nos que estamos em tempos de mudança.
E não vale a pena consultarem astrólogos, tarólogos, astrónomos, e por aí fora, porque tudo se prepara para que um sistema velho e empobrecido acabe , e nasça algo novo.

E não é suposto nos alegrarmos perante um nascimento? Uma coisa nova?

Sei que o desconhecimento do que aí vem pode causar aos mais negativos e cépticos, uma certa angústia.
Digo mesmo, que o não saber lidar com a transformação, causará seguramente depressão.
Mas deixemo-nos disso.


Sejemos optimistas, mas realistas.

Arregacemos as mangas, não para lutar ( porque não estamos em guerra), mas para trabalhar.

Paremos de recusar trabalho, engrossando as filas do desemprego, porque não queremos trabalhar aos fins de semana, ou por turnos, ou porque o ordenado é muito baixo.E sempre é melhor o rendimento mínimo.


Todos precisamos de todos. E não é com comodismos que se chega a algum lado.
Não embarquemos na manipulação das audiências televisivas. Isso faz mal.

Caminhem antes durante trinta minutos. Faz muito melhor à saúde.


Quando estiverem tristes por não terem sapatos, lembrem-se daqueles que não têm pés e ficarão menos tristes.

Querem pintar Portugal de cinzento

Porque querem pintar Portugal de cinzento?
Não está ele tão cinzento já?
Onde está o destemor da Padeira de Aljubarrota, quando desafiou os castelhamos, ou a coragem dos navegadores, quando enfrentaram mares e terras desconhecidos?
Sempre na História de Portugal, tempos dificeis houveram, e foram vividos e ultrapassados.
Agora, em pleno século XXI, os nossos governantes transformaram Portugal, numa terra de ninguém, sem rei nem roque, onde, porque qualquer noticia negativa ser bastante mediatizada, e empolada, as cores da nossa bandeira deixaram de ter qualquer significado.
E enquanto se fala, comenta e critica, nada se faz.
Gasta-se tanta energia e tempo diáriamente a comentar o que acabou de ser comentado.
Onde está a esperança?
Onde está a coragem?
Os portugueses estão oprimidos, tristes, deprimidos e desmotivados.
Parecem cata-ventos em dia de ventania.
Há um mal estar generalizado, porque se perde a esperança, porque nada já vale a pena fazer.
De nenhum lado, nos chega um pouco de incentivo e optimismo.
O derrotismo é comum.
As pessoas vivem mal em Portugal. E as outras parecem que vivem bem, mas não. Vivem mentiras, de aparencias.
Enquanto não começarem a pensar duma outra forma, não deixarão de viver mal.
E quem me diz que Portugal dos nossos igréjios avós, não se irá envergonhar, pela falta de coragem e de valentia em mudar simplesmente a maneira de pensar?
Quem é o governante mandatado neste país, que tem a coragem de parar com a choraminguice da crise, pois que isso já todos sabemos, e que é capaz de nos levantar a moral para que não baixem os braços os agricultores, os pescadores, os homens e mulheres deste país, e que ponham todos os neurónios a pensar em alternativas para voltar a pintar este país da cor do sol e da esperança?
Será que estou a alucinar?
Será que ainda acredito que D. Sebastião vai voltar.
Pois se ele não voltar numa dita manhã de nevoeiro, Sòcrates não vai ganhar, e se ganhar, perderá seguramente a maioria absoluta.
Professor Cavaco Silva, anime e encorage Portugal, senão isto vai acabar mal.
Temo que falte o pão, e então... não sei não...

Mate-se o mensageiro!


O Poder da Televisão, sim ou não?
Quando apareceu a televisão, foi um espanto. Poucas pessoas podiam aceder a poder ver a imagem em tempo real.
Estávamos em 1958.
Introduziu-se nas nossas casas, de mancinho, com pézinhos de luva.
Mudou de cinza, para cores.
Passou de caixote, a uma janela.
Hoje, come e dorme conosco.E nós deixámos de ter a nossa vida.
A própria. Para nos vermos girar á volta dela.
Penso, e já numa posição bem fundamentalista, que a televisão é o ópio do povo.
As familias não se reunem, não conversam, não existem.
A lareira de antigamente foi substituida pela televisão.
Mas ela preenche-nos alguma solidão? Sim ou não?
Manipula-nos. E neste momento deprime-nos. E tudo porque o que vale, não é quem vê televisão, são as audiências, que fazem render rios de dinheiro com a publicidade.E essas audiências não são selectivas. Consomem tudo. TUDO.E neste particular momento social, politico e económico que o país atravessa, não há uma noticia positiva.Porque todos sabemos que o ser humano gosta de sangue, de tragédia.E essa morbidez humana é explorada até à exaustão.E assim se cria um país de deprimidos, de desistentes, de gente cinzenta, que repete e fala vezes sem conta tudo o que ouve na televisão.
As audiências aumentaram, mas as pessoas já estão apáticas. Já nada lhes apetece fazer.
Já nada importa, porque todo o seu cérebro está mais do que ocupado no lamento, na queixa, na especulação, para se dedicar a pensar em como dar a volta e renascer das cinzas.
Onde estaríamos nós, se no tempo de D. Manuel I, existisse a televisão..., ou melhor do mau uso que lhe estão a dar enquanto responsável por simplesmente informar.
Provávelmente, aqui. Mas sem termos tido a curiosidade de saber o que havia para além de Sagres, ou de Lisboa....

Em águas um pouco turvas

Estamos em tempo de eleições.
Eleger é um direito e um dever cívico.
Mas quem vamos eleger? Para nos dirigir, comandar e apoiar?
Tenho muitas dúvidas e raramente me engano. Estas eleições ñão vão ter a expressão que os portugueses estão á espera.
Há uma enorme fatia da sociedade que também tem muitas dúvidas: E entre o não sair de casa, ir às urnas e votar em branco, ou simplesmente votar de olhos fechados, acho que expressa e bem, a angústia que todos os portugueses sentem, de que vivemos um tempo de indecisão, de muitas dúvidas, de que nada é preto e branco, e que não há realmente ninguém no cenário politico, capaz de mobilizar este país, não só em grande transformação financeira, como numa grande transformação de valores.
Acho que antes de olharmos para fora, temos de começar a olhar para dentro.
Todos nós almejamos na nossa vida muita coisa, e esperamos sempre que alguém crie as condições necessárias para que as tenhamos. E nós ficamos sentados. À espera. Só temos que escolher o agente.
Neste momento, o agente somos cada um de nós.
A transformação somos nós que a temos de fazer. E de dentro para fora.
A imagem que os media nos dão, é dum país em desgoverno. Ou por outra, que ninguém, está a salvo. Os orgãos de soberania, até agora intocáveis, acabam por estarem aos nossos olhos extremamente vulnerabilizados. E os comentadores, os analistas, (fazendo o seu trabalho), acabam sempre, nas suas mais variadas intervenções, confundir os portugueses, mais do que esclarecer.
Penso, que no dia 28 de Setembro (esta data lembra-me qualquer coisa...) temos um primeiro ministro sem maioria absoluta, e uma assembleia muito mais colorida e composta fazendo crer que os partidos minoritários vão aproximar-se dos que detém (pensam eles) o poder.
Estamos em transformação. E embora este processo já tenha começado há alguns anos, sem qualquer visão catastrófica, penso que vai ser muito bom para todo o mundo em geral.
Mas a dúvida persiste: Em quem hei-de ir votar?
No Ricardo Araújo Pereira seguramente, pois só ele nos tem últimamente tirado o sorriso amarelo acizentado, que ganhámos nos últimos quatro anos.
É tempo de separar as águas. Vamos às urnas no domingo.




quinta-feira, 7 de maio de 2009

Desisto

Desisto!

Desisto porque já não vale a pena
Porque a minha alma se tornou pequena
E o que sinto é tão medonho, tão macabro
Que me vejo a matar o mundo inteiro
Numa raiva, num excesso em que me abro
E mostro que afinal não sou quem penso ser
Porque não me conheço já, e neste derradeiro
Grito, eu quero que saibam que há um ódio
Que eu sinto a desventrar-me a alma, e do coração
Cresce aquele sentir de que só eu posso tudo
Contra todos e até contra o meu ser
Porque sozinha estou e quem eu sou,
Já nem eu sei, vivi sempre à procura de me ter.

Desisto porque já nada sei, nem nada posso
E na contradição me vejo agora, entre a razão e
O coração começa a gotejar agonizante,
Meu corpo desfalece e cai, no mesmo chão
Que eu pisei durante tantos anos, andando errante.
Eu sei que se gritar ninguém já ouve, porque rouca
De tanto falar e pedir em vão, me sinto louca
Sim, sou louca, e deixem-me ser louca, de mente insana
Que alguém tentou dar-lhe algum remédio, mas muito
A medo desistiu também, porque na louca ninguém crê
E tudo o que eu diga ou balbucie, ninguém nesta desdita
Vai dar crédito, e perde sempre, e mesmo gritando, ninguém vê.

Desisto enquanto posso, entrego os pontos, mas não me rendo
Entrego-me, empunhando uma bandeira para dizer, que é a paz
Que eu quero, e que sempre desejei, e nunca tive, e que dependo
De tantos carrascos que inventei, e que me rondam sobrevoando
Minha cabeça que escondo, e tapo os olhos, como se quisesse
Que o meu coração parasse, de repente, sem ter que dizer adeus
A quem eu amo, sim porque meu coração ama, e pobre não sabe
Que não pode amar, porque num bater estúpido de loucura, ele procura
O alimento para que continue batendo, não sabendo, que o amor
É uma tortura, e que não se desperdiça essas batidas de ternura
Assim à toa sem saber porquê, e sem conhecer se escutam ou
Querem escutar essas batidas que embora fracas fazem tanta dor.

Desisto, e assumo-me como louca, talvez mesmo logo que nasci
Porque eu não pedi para aqui estar, e agora eu vou ter que aguentar
O sofrimento que me queiram infligir, porque mesmo que me queixe
Ninguém vai ouvir os meus gritos, o meu lamento, ninguém vai acreditar
Que se sofro é porque eu quero, porque criei o meu próprio sofrimento
Ingénua, sem saber que naquele poder em que eu própria acreditava
Não se manda assim no sentimento porque é do acaso que ele nasce
Muito de mansinho, e devagarinho se instala como uma doença
E nós vamos deixando, esperando haver remédio, mas é em vão
Não há remédio, e para acabar com a doença, temos que desistir
Primeiro, baixar a guarda, e que venha a morte desligar o coração.

Desisto!

O INANTIGIVEL , sonho ou ilusão??.


Passei um dia numa rua e vi
Numa montra duma cidade que inventei
Era tão lindo, vestido de vermelho ali
Parecia que me esperava, quando entrei.

Olhei-o quase a medo, era tão lindo
E pensei como era bom tê-lo,
E dei comigo imaginando e rindo
Com aquele olhar mesmo de desvelo.

Cheguei-me mais um pouco
E toquei-lhe primeiro com uma mão
Depois com a outra, que sufoco!
Enrubesci, senti acelerar meu coração

Aí, não resisti e experimentei
Sentar-me e apreciá-lo bem de perto
O que se passou depois eu já não sei
Pois já não me lembro de tudo bem ao certo.

Mas sei que foi bom, criou-se um não sei quê
Que ainda estou para saber se foi verdade
Aquela coisa que arde e não se vê
E que depois nos traz numa ansiedade

Alguma intimidade aconteceu ali
Fechados ali os dois naquele espaço
De repente ouvi dizer: Ficamos por aqui
E pareci então acordar daquele abraço.

Saí. Cá fora disse para mim
Olhando depois o cheque que passei
Mas que burrice, isto não é assim
Devia ter pensado melhor e não pensei.

Quando o relógio toca estridente
E me obriga a levantar naquela hora
Dei com uma realidade tão diferente
Arranjei-me e pronto fui-me embora

E ainda bem que o sonho acabou
Mas que trabalhos eu ia arranjar…
Naquela loja eu não sei se vou
E naquela rua não vou mais passar.

Às vezes os sonhos pregam-nos partidas
Para as quais às vezes não há solução
Assim vou controlar melhor minhas saídas
E proteger assim melhor meu coração.

Acho que passeando a pé, só pelo campo´
Ou usando a bicicleta como companheira
Não vou- ceder à ilusão que entretanto
É tal uma armadilha qual ratoeira.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Manuel o tempo já escasseia.



Manuel, o tempo já escasseia
Faz qualquer coisa, age de imediato
Para sairmos desta panaceia
Que urge, que tenha de ser rápido

A tua voz Manuel. que nos alenta
Tuas palavras dão nos a coragem
Mas passa aos actos, e enfrenta
E firma teus ideiais, a tua imagem.

Manuel o que fizeram de Abril,
Agora já esquecido e muito deturpado
Precisa de ser urgentemente reparado
E acordar este povo já tão desanimado

Manuel, junta os teus companheiros
Convoca os velhos, as mulheres, os jovens
Que este país vai precisar de todos
Para fazer renascer a valentia destes homems

Manuel nunca desistas dos teus ideais
Tu és a voz resistente do Abril de outrora
E tens de conseguir juntar este povo
De ideias diferentes, mas tem de ser agora.

Sei que não é fácil, levantar o ânimo
céptico e massacrado sentido por nós
Pergunta ao Scolari, como em dois mil e quatro
Encorajou e uniu, este país todo a uma só voz.
Por favor Manuel age, que é urgente
Vivemos correndo um tempo de mudança
Porque se não agires e não nos liderares
Este povo desalentado fica sem esperança.

Alegre é também o teu sobrenome
Que nos faz acreditar que nada está perdido
Traz-nos a alegria do primeiro de Maio de setenta e quatro
E Abril de novo ganha outro sentido.