
Papá está tudo tão mudado
Da terra já não brota mais feijão
Antes, está sufocada com betão
E o agricultor deixou de o ser, desanimado.
Papá está tudo tão diferente
Que o peixe que encontramos no mercado
Chega-nos em caixotes, empilhado
Pescado, mas não como antigamente.
Sabes Papá, os pássaros fazem ninhos
Mas não nas árvores, como era dantes
Em equilíbrio em cabos ou tirantes
Aqui e ali deixam os ovinhos.
Papá, se voltasses cá, poderias ver
Como este país se arrasta e se tortura
Pior que noutros tempos, os da ditadura
Lutando cada dia, pr’a sobreviver.
Falta de trabalho, de dinheiro e pão
Estão a levar Portugal ao fundo,
Mas não só nesta terra, é por todo o mundo
À espera sempre que venha uma mão.
Abril é só um mês do ano, nada mais
A pouco e pouco a censura está a voltar
A tua geração está a acabar
E os restantes que ficam, vivem já, sem ideais.
Papá, só o que não muda e está sempre igual
É que os que trabalham, e lutam cada dia
Para deixar para trás, toda esta agonia
Não conseguirão mudar Portugal.
Porque há quem não queira, porque não dá jeito
Porque sobrevivem da corrupção
E a nossa justiça, continua cega, e leve tem a mão
E os Portugueses, outrora valentes, onde é que eles estão?
Papá, gostava de te ter aqui sentado
Para te dizer que amar seja quem for
Terá de ser escondido ou disfarçado o amor,
E dizer o que se sente é censurado.
Papá, mesmo com toda esta mudança
Eu queria dizer-te que é de ti que gosto
Mesmo que às vezes, fosses meu oposto
Eu amo-te Papá como quando era criança.
Papá, está tudo tão mudado
Que se nos voltássemos por aí a encontrar
E eu quisesse muito te abraçar
Teria de certeza de primeiro, olhar para o lado.
Papá está tudo tão mudado!
Mas as saudades, essas são iguais
São talvez mais fortes, até mais reais
Que com muita coragem tenho suportado.
Da terra já não brota mais feijão
Antes, está sufocada com betão
E o agricultor deixou de o ser, desanimado.
Papá está tudo tão diferente
Que o peixe que encontramos no mercado
Chega-nos em caixotes, empilhado
Pescado, mas não como antigamente.
Sabes Papá, os pássaros fazem ninhos
Mas não nas árvores, como era dantes
Em equilíbrio em cabos ou tirantes
Aqui e ali deixam os ovinhos.
Papá, se voltasses cá, poderias ver
Como este país se arrasta e se tortura
Pior que noutros tempos, os da ditadura
Lutando cada dia, pr’a sobreviver.
Falta de trabalho, de dinheiro e pão
Estão a levar Portugal ao fundo,
Mas não só nesta terra, é por todo o mundo
À espera sempre que venha uma mão.
Abril é só um mês do ano, nada mais
A pouco e pouco a censura está a voltar
A tua geração está a acabar
E os restantes que ficam, vivem já, sem ideais.
Papá, só o que não muda e está sempre igual
É que os que trabalham, e lutam cada dia
Para deixar para trás, toda esta agonia
Não conseguirão mudar Portugal.
Porque há quem não queira, porque não dá jeito
Porque sobrevivem da corrupção
E a nossa justiça, continua cega, e leve tem a mão
E os Portugueses, outrora valentes, onde é que eles estão?
Papá, gostava de te ter aqui sentado
Para te dizer que amar seja quem for
Terá de ser escondido ou disfarçado o amor,
E dizer o que se sente é censurado.
Papá, mesmo com toda esta mudança
Eu queria dizer-te que é de ti que gosto
Mesmo que às vezes, fosses meu oposto
Eu amo-te Papá como quando era criança.
Papá, está tudo tão mudado
Que se nos voltássemos por aí a encontrar
E eu quisesse muito te abraçar
Teria de certeza de primeiro, olhar para o lado.
Papá está tudo tão mudado!
Mas as saudades, essas são iguais
São talvez mais fortes, até mais reais
Que com muita coragem tenho suportado.

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