Desisto!
Desisto porque já não vale a pena
Porque a minha alma se tornou pequena
E o que sinto é tão medonho, tão macabro
Que me vejo a matar o mundo inteiro
Numa raiva, num excesso em que me abro
E mostro que afinal não sou quem penso ser
Porque não me conheço já, e neste derradeiro
Grito, eu quero que saibam que há um ódio
Que eu sinto a desventrar-me a alma, e do coração
Cresce aquele sentir de que só eu posso tudo
Contra todos e até contra o meu ser
Porque sozinha estou e quem eu sou,
Já nem eu sei, vivi sempre à procura de me ter.
Desisto porque já nada sei, nem nada posso
E na contradição me vejo agora, entre a razão e
O coração começa a gotejar agonizante,
Meu corpo desfalece e cai, no mesmo chão
Que eu pisei durante tantos anos, andando errante.
Eu sei que se gritar ninguém já ouve, porque rouca
De tanto falar e pedir em vão, me sinto louca
Sim, sou louca, e deixem-me ser louca, de mente insana
Que alguém tentou dar-lhe algum remédio, mas muito
A medo desistiu também, porque na louca ninguém crê
E tudo o que eu diga ou balbucie, ninguém nesta desdita
Vai dar crédito, e perde sempre, e mesmo gritando, ninguém vê.
Desisto enquanto posso, entrego os pontos, mas não me rendo
Entrego-me, empunhando uma bandeira para dizer, que é a paz
Que eu quero, e que sempre desejei, e nunca tive, e que dependo
De tantos carrascos que inventei, e que me rondam sobrevoando
Minha cabeça que escondo, e tapo os olhos, como se quisesse
Que o meu coração parasse, de repente, sem ter que dizer adeus
A quem eu amo, sim porque meu coração ama, e pobre não sabe
Que não pode amar, porque num bater estúpido de loucura, ele procura
O alimento para que continue batendo, não sabendo, que o amor
É uma tortura, e que não se desperdiça essas batidas de ternura
Assim à toa sem saber porquê, e sem conhecer se escutam ou
Querem escutar essas batidas que embora fracas fazem tanta dor.
Desisto, e assumo-me como louca, talvez mesmo logo que nasci
Porque eu não pedi para aqui estar, e agora eu vou ter que aguentar
O sofrimento que me queiram infligir, porque mesmo que me queixe
Ninguém vai ouvir os meus gritos, o meu lamento, ninguém vai acreditar
Que se sofro é porque eu quero, porque criei o meu próprio sofrimento
Ingénua, sem saber que naquele poder em que eu própria acreditava
Não se manda assim no sentimento porque é do acaso que ele nasce
Muito de mansinho, e devagarinho se instala como uma doença
E nós vamos deixando, esperando haver remédio, mas é em vão
Não há remédio, e para acabar com a doença, temos que desistir
Primeiro, baixar a guarda, e que venha a morte desligar o coração.
Desisto!
quinta-feira, 7 de maio de 2009
O INANTIGIVEL , sonho ou ilusão??.

Passei um dia numa rua e vi
Numa montra duma cidade que inventei
Era tão lindo, vestido de vermelho ali
Parecia que me esperava, quando entrei.
Olhei-o quase a medo, era tão lindo
E pensei como era bom tê-lo,
E dei comigo imaginando e rindo
Com aquele olhar mesmo de desvelo.
Cheguei-me mais um pouco
E toquei-lhe primeiro com uma mão
Depois com a outra, que sufoco!
Enrubesci, senti acelerar meu coração
Aí, não resisti e experimentei
Sentar-me e apreciá-lo bem de perto
O que se passou depois eu já não sei
Pois já não me lembro de tudo bem ao certo.
Mas sei que foi bom, criou-se um não sei quê
Que ainda estou para saber se foi verdade
Aquela coisa que arde e não se vê
E que depois nos traz numa ansiedade
Alguma intimidade aconteceu ali
Fechados ali os dois naquele espaço
De repente ouvi dizer: Ficamos por aqui
E pareci então acordar daquele abraço.
Saí. Cá fora disse para mim
Olhando depois o cheque que passei
Mas que burrice, isto não é assim
Devia ter pensado melhor e não pensei.
Quando o relógio toca estridente
E me obriga a levantar naquela hora
Dei com uma realidade tão diferente
Arranjei-me e pronto fui-me embora
E ainda bem que o sonho acabou
Mas que trabalhos eu ia arranjar…
Naquela loja eu não sei se vou
E naquela rua não vou mais passar.
Às vezes os sonhos pregam-nos partidas
Para as quais às vezes não há solução
Assim vou controlar melhor minhas saídas
E proteger assim melhor meu coração.
Acho que passeando a pé, só pelo campo´
Ou usando a bicicleta como companheira
Não vou- ceder à ilusão que entretanto
É tal uma armadilha qual ratoeira.
Numa montra duma cidade que inventei
Era tão lindo, vestido de vermelho ali
Parecia que me esperava, quando entrei.
Olhei-o quase a medo, era tão lindo
E pensei como era bom tê-lo,
E dei comigo imaginando e rindo
Com aquele olhar mesmo de desvelo.
Cheguei-me mais um pouco
E toquei-lhe primeiro com uma mão
Depois com a outra, que sufoco!
Enrubesci, senti acelerar meu coração
Aí, não resisti e experimentei
Sentar-me e apreciá-lo bem de perto
O que se passou depois eu já não sei
Pois já não me lembro de tudo bem ao certo.
Mas sei que foi bom, criou-se um não sei quê
Que ainda estou para saber se foi verdade
Aquela coisa que arde e não se vê
E que depois nos traz numa ansiedade
Alguma intimidade aconteceu ali
Fechados ali os dois naquele espaço
De repente ouvi dizer: Ficamos por aqui
E pareci então acordar daquele abraço.
Saí. Cá fora disse para mim
Olhando depois o cheque que passei
Mas que burrice, isto não é assim
Devia ter pensado melhor e não pensei.
Quando o relógio toca estridente
E me obriga a levantar naquela hora
Dei com uma realidade tão diferente
Arranjei-me e pronto fui-me embora
E ainda bem que o sonho acabou
Mas que trabalhos eu ia arranjar…
Naquela loja eu não sei se vou
E naquela rua não vou mais passar.
Às vezes os sonhos pregam-nos partidas
Para as quais às vezes não há solução
Assim vou controlar melhor minhas saídas
E proteger assim melhor meu coração.
Acho que passeando a pé, só pelo campo´
Ou usando a bicicleta como companheira
Não vou- ceder à ilusão que entretanto
É tal uma armadilha qual ratoeira.
Etiquetas:
A ilusão na velhice,
A paixão,
e o sonho
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